sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Meu pé-de-cabra


MEU PÉ-DE-CABRA

Estou pensando em vender meu pé-de-cabra. É um pé-de-cabra antigo, é bem verdade, mas tem história... É quase uma relíquia de família e por isso eu penso tanto ainda se me desfaço dele ou não. A gente acaba se apegando a essas coisas e deixa de perceber quando de fato elas se tornam obsoletas. 
Minha mãe usou tantas vezes e talvez da mesma maneira que minha avó tenha usado, que deixou nele algumas marcas, desgastes, e quando, com o passar dos anos, nós outras fomos usando, acabávamos por usá-lo da mesma maneira que minha mãe e minha avó e então... cometíamos os mesmos erros.
Coitada da mamãe! Anos a fio usando aquele pé-de-cabra para tentar arrancar alguma coisa do papai e ele lá... fechadão... Ria, brincava, dançava, bebia, mas quando tinha que falar... E ela lá. Com o pé-de-cabra sempre na mão.
Na verdade ela muitas vezes até conseguiu, com jeitinho todo especial, dando uma forçadinha aqui, outra ali, arrancar alguma coisa.
É engraçado. Às vezes a gente fica observando alguém usar com dificuldade uma ferramenta e fica imaginando que na nossa mão... Ah, seria tudo diferente!
Eu mesma sonhava em um dia poder usar aquela ferramenta de forma diferente. Primeiro, eu tentaria pelo modo convencional, usando a parte reta como uma pequena alavanca para separar as superfícies, depois com um pouco mais de folga, poderia até, se fosse preciso, usar a parte fendida para retirar o prego de uma só vez. Parecia-me tão fácil... Mas, se estivesse me dando muito trabalho, pegaria aquele pedaço de ferro, não usaria nem uma extremidade nem outra: daria uma pancada fatal e pronto! Assunto encerrado. 
Mas como disse, meu pé-de-cabra  tem desgastes, marcas, vícios mesmo. Acabei fazendo tudo igualzinho. Tentando os mesmos métodos, usando a mesma ferramenta antiga, quando já podia desfrutar, no meu tempo, de outras mais modernas. Será que sou, enfim, tradicional?

Nessa brincadeira com o pé-de-cabra, o tempo foi passando e acabei achando que já estava na hora de fazer experiências novas com o mesmo pé-de-cabra, só que agora, fora de casa. Sim, pois já que não havia conseguido grande sucesso tentando abrir aquelas caixas conhecidas que moravam comigo, marido, filhos, pai, mãe, irmãos, quem sabe conseguisse... com os amigos?
Animei-me! Fui à luta. Eu e o meu inseparável pé-de-cabra. A essa altura eu já havia aprendido, no mínimo, a saber o que NÃO fazer nas minhas tentativas. Mas pasmem: fiz pior!  Algumas vezes fui delicada demais e enquanto eu arrancava os pregos demoradamente... a oportunidade havia passado. Em outras, investia com fúria e descobria que o esforço não valia a descoberta. Em outras ainda até consegui com facilidade, mas a responsabilidade de cuidar de todo o conteúdo da caixa era assustadora. 

Talvez devesse mesmo desistir desse negócio de pé-de-cabra, afinal, de onde veio essa idéia? Por que isso sempre é colocado no berço das mulheres quando cada uma nasce?  Sim, quero saber!
Acabei descobrindo algo com isso: Sou uma mulher. Apenas uma mulher. Mulheres, em geral, não tem muita intimidade com ferramentas pesadas e nem precisam ter. Pegar pesado não é o nosso papel. Mulher tem papel diferente de homem sim! Homens pegam pesado.
Delicadeza é a nossa ferramenta. Delicadeza com firmeza torna-se nossa melhor alavanca. Com elas conseguimos abrir os containers mais bem vedados, partimos os ferrolhos mais enferrujados e descobrimos verdadeiros tesouros. E com uma vantagem: se as coisas não forem ou não saírem como esperamos, usamos a delicadeza e a firmeza para completarem o serviço sem marcas. 
É. Decidi: Vou vender meu pé-de-cabra. Talvez alguém ainda ache interessante comprar algo assim para um uso tão insólito. Mas vou avisar a quem comprar: só use com absoluta consciência de que não há outro recurso. Mas vou vender. Ele já me deu tantos prejuízos que preciso de ressarcimento. Por quanto vou vender? Boa pergunta! Como calcular o valor de algo que já não tem mais valor? Valor sentimental? Sem essa! Que sentimento terei por algo que durante anos torturou tantas pessoas que amei e que acabaram sendo feridas ou ferindo?
Não. Não posso vender. Já sei. Vou guardá-lo no fundo da minha caixa de ferramentas e deixá-lo por lá sem que ninguém mais tenha acesso a ele. Não o darei à minha filha ou à minha sobrinha*. Quero ensiná-las a usar a delicadeza aliada a firmeza. Elas nunca saberão que um dia houve um pé-de-cabra.



* ou à minha neta! Em abril de 2002 qd espremi essa polpa, nem sonhava com a possibilidade de ter uma neta. Hj isso já é uma possibilidade!

Não voltei de férias ainda, mas hj vasculhando "alfarrábios" (nooossa q palavra antiga!), encontrei essa polpa e antes q estragasse, resolvi postar. 

Até a volta! 



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vou e volto

Pois é. Mal comecei e já estou de férias. Ainda bem q não tenho muitos seguidores, aliás só tenho um e é dotado de um entendimento q muitos não teriam. Valeu, Sergíssimo!


Se por acaso alguém der um "google" e me encontrar, por acaso,  saiba q eu volto, mas no momento, estou operando em alta, como diria um amigo meu.

De repente, e digo, de repente mesmo, a vida da gente muda de rumo, planos são mudados, novas prioridades surgem e isso... de repente. Eu gosto desse movimento da vida e até prefiro, do q ter uma vida estancada pelo nada. A minha está se movendo, girando, rodando, trazendo novidades que em breve todos saberão. E estou feliz. Isso basta.

Por hj é só. Só tenho tempo pra pensar, por enquanto. O meu momento agora é de preparar um novo caminho prá receber alguém muito especial e que vai chegar e roubar a cena! Não vejo a hora!

Então, até a volta! Ces't la vie! Eu avisei q não tinha disciplina pra ser blogueira... Eu avisei...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia de ser criança

  

Ainda me lembro de quando eu era criança. Desse dia, em especial. 
Não queria voltar a ser criança se fosse possível, mas queria ter de volta esse olhar brejeiro e esperançoso, esse sorriso puro e sem preocupações... 
Hoje me lembrei da vovó Maria Roque, que cantava uma marchinha engraçada, toda vez q nos arvorávamos agir como adultos. E a marchinha dizia assim: 
"Quando a gente tem 10 anos, quer fazer tudo para namorar
E depois de ter 18, quer fazer tudo pra se casar
Quando chega os 21, toda liberdade a gente tem
E aos 40 anos, a gente tem vontade de voltar a ser neném"

E não é que era verdade? Sábia vovó...


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Qual é a cor?




Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de cor. De todas! Elas exercem alguma influencia, sim, na minha (in)disposição.

Hoje, porém, quero falar sobre a influencia delas sob outro aspecto. Tenho, porém, registrado em minha mente a frase de Voltaire que diz que" a situação ridícula de alguém que critica algo que confessa não ter lido, já basta para desqualificar sua crítica". Sendo assim, vou ser cautelosa nos meus "pitacos".

Poderia falar apenas do verde e do amarelo, já que o assunto do momento é política, eleições, segundo turno, mas preciso incluir vemelho e azul. Talvez, como disse a Marina em debates, cor-de-rosa também.

Na mesma proporção que gosto de cores, desgosto de política. De fato é um assunto que me assombra! Contudo depois de ser bombardeada com e-mails alarmistas, outros ufanistas, apaixonados e outros mais, resolvi tratar do assunto, já que tá todo mundo falando nisso. Mas não esperem muito. É só um pedacinho da "polpa" que vou dividir. Acho q o resto já apodreceu e é melhor não arriscar...

Voltando às cores, nesses dias de ruas coloridas por papéis inúteis com fotos retocadas e com cores vibrantes, depois de ter lido e ouvido um monte de mensagens absurdas do tipo: Dilma vai proibir cultos públicos ou, Marina, sim, vai moralizar porque é Evangélica e o Serra... me coloquei à parte prá  pensar nesse tanto de bobagens e improdutivas discussões. Concluí que, nem a verde Marina transformaria o Planalto numa igreja e nem a escarlate Dilma teria poderes, sozinha, para perseguir tão ferozmente a igreja/religião/fé e destruir os valores morais, blá, blá, bla... E o Serra... 

As eleições no primeiro turno, basicamente, giravam em torno de um arco-íris, considerando aqui (perdoem o duplo sentido) que  um dos pontos aflitivos para cristãos de todas as linhas, era a questão dos direitos da minoria homossexual. Era cor demais para o povo se distrair e não perceber que os maiores riscos que os candidatos ofereciam, não estavam relacionados com as cores que defendiam, vermelho, verde, azul... e sim em deixar dúvidas sobre o caráter impecável, a vida pública ilibada e um compromisso sério com cada promessa feita. Pior do que isso, é , conquanto se diga que o Brasil é um país laico, fazer "ajustes" nos discursos, para garantir votos nos redutos cristãos, dependendo da conveniência. Isso é feio e "marronzista", como diria Odorico Paraguassu!

A duras penas tenho mantido minha fé. A duras penas! Entretanto, aprendi desde cedo a respeitar o outro, a não perseguir quem não tem a mesma fé q a minha, até porque não tenho a mesma fé que  tem ou não  tem o outro.

Sendo assim, queria ver no meu país, cristãos, ateus, espíritas, umbandistas e todas as muitas religiões que são abrigadas debaixo desse maravilho céu azul tropical deste país, uma preocupação muito mais coerente com a fé que professam, sim, porque acredito q mesmo os ateus vivem por fé, uma vez q de alguma forma, acreditam nas pessoas, e com isso, promoverem ações para o bem comum, independente do credo de cada um. 
Aos cristãos, especificamente, fica um recado: Cuidado com os que usam seus púlpitos/palanques, pintados pelo lado de dentro com essa ou aquela cor, pra fazer errar um povo, induzindo-o ao erro maior que é não examinar, não discernir, não ler, não confrontar, não ter opinião própria e sim, como papagaios, repetirem mantras sacralizados que os acompanham até às urnas, deixando de fora a consciência. Acho isso feio demais! 

E, querem saber? De todos os simbolismos de que tratam as cores, eu fico com o branco (apesar de AMAR o amarelo!), que como pano  de fundo, seria capaz de mostrar que a ficha limpa não pode ser cinza clarinho, porque em cima do branco, o claro ainda  é escuro (leiam : O Frio Pode ser Quente? da Jandira Mansur. É livro infantil, viu?) .
Ah, Patria amada... Será que falta muito prá gente ser um povo heróico e  ver o sol da liberdade? Será que vai demorar pra gente conseguir o penhor da igualdade? 
Ah, Patria amada... estão querendo apagar tuas cores, vendendo teus verdes, teu ouro amarelo e demais riquezas naturais, encobrindo teu céu azul pela falta de controle da poluição e o teu branco, pátria amada, que representa a paz, tem sido maculada com as sujeiras palacianas, impedindo toda ordem e todo progresso. 

Melhor parar por aqui, ou Voltaire vai "voltaire", como  diriam os nossos colonizadores, e puxar minhas orelhas!










Depois de ler

Por que não eu?



Foi essa a pergunta que me fiz antes de me aventurar nesse blog. Por que não eu?
Não sei se por preconceito, por achar tudo muito sem graça, por não querer que me definam por qualquer coisa que eu venha a escrever, fiz o que pude para não me deixar vencer por essa "tentação". Mas agora estou aqui. Não sei também por quanto tempo, mas o que me importa? Afinal, o que é o tempo?
Vamos ver no que vai dar essa minha tentativa. Já me preparei para as críticas, as piores e as melhores. Passei dos 50 e é um luxo poder dizer: E daí? Isso incomoda muita gente, mas... E daí? Eu também me incomodo com muitas coisas, mas... e daí?
Talvez você possa contribuir nos meus devaneios. Quem sabe sugerir assuntos, me desafiar com algum argumento, não sei.
No momento, só quero ter certeza de que HOJE, o que eu quero é dar o primeiro passo. Depois posso até voar... Por que não eu?Descrição: https://9aik6g.blu.livefilestore.com/y1m0KOpYNN-ozj6G-jnblQ9cgKFRhNoPhyueJlPCz3i7Dlws6mR69ZfA6ZsdAbJFfQFyX6pA_q0v4q8M7KIhpEjY_IGewKaYKiWqWLr2mHNvEfpujlAG0yDp0e3VqFvlVIBWU7sAXxDIIM/DSC002821.jpg