quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher 2012


Mulher, sexo frágil. Frágil?

O cantor e compositor Erasmo Carlos, num momento inspirado, escreveu uma canção para enaltecer a mulher na qual ele expressa: “dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com ela...”

Mulheres. Vinicius de Morais poetizou e cantou sobre elas, escritores famosos tentaram defini-las e laureá-las com nobreza, delicadeza e emoção. Em contrapartida, alguns compositores mais preocupados em fama e dinheiro a qualquer preço compuseram músicas (músicas???)com frases  que se repetem como um mantra, em compassos musicais igualmente repetitivos, atentando contra sua dignidade como se fosse um elogio!

Neste Dia Internacional da Mulher, quero voltar meu pensamento às mulheres que talvez nem tenham sido citadas nos versos de algum poeta ou mesmo tenham inspirado canções, mas que estão incluídas na frase da canção do Erasmo: “...sexo frágil... que mentira absurda!”

Essa mulher a que me refiro é aquela que mal abre os olhos depois de uma noite mal dormida ao lado de um filho febril, sob um teto improvisado numa favela qualquer, de qualquer cidade de cartões postais e se depara com um longo dia pela frente, no qual terá que enfrentar extensa jornada até o trabalho, para cuidar de alguma casa que nem de longe se parece com sua, mas que, possivelmente, também é gerenciada por outra mulher que lhe entrega os cuidados da sua casa, uma vez que também depende do trabalho para contribuir com a renda familiar ou mesmo para continuar produtiva e ativa no mercado de trabalho, por algo que lhe garanta segurança financeira e estabilidade futura, e assim, como num elo, vão unindo forças e garantindo a sua sobrevivência, cada uma de acordo com a sua necessidade, num mundo cada vez mais competitivo e desigual.

Essa mulher a que me refiro é aquela que, segregada ao sertão nordestino e oprimida socialmente, diligentemente amanhece e anoitece cumprindo tarefas árduas, a fim de não ver seus filhos morrerem pela fome e miséria, impostas pelo descaso de governantes, ano após ano.  É essa mulher que labuta diariamente, ignorando seu estado de fragilidade e tomando, cada vez mais as rédeas da economia familiar. Ou ainda, aquela que por força das circunstâncias, veem-se obrigadas a abandonar suas famílias por lá para tentar uma vida mais honrosa na cidade grande, enfrentando a saudade, a distância, a solidão, abrindo e pavimentando um caminho  para trazer os seus, resgatando-os da ignomínia.

Essa mulher a que me refiro é aquela que enfrenta a dureza de ver seus filhos envolvidos em drogas, na prostituição ou no crime e ainda assim lutam por dignidade, mantendo viva a esperança de vê-los reabilitados, com direitos assegurados, com trabalho e estudos garantidos. É ela que enfrenta os vexames, a dor, a solidão e ainda encontra tempo para o abraço e carinho ao filho ou filha a quem ninguém dá mais crédito.

Essa mulher a que me refiro é aquela que mesmo negligenciando a beleza e os cuidados com seu próprio corpo, luta por causas justas, pelos direitos conquistados e não cumpridos, por dignidade e ética.  É essa mulher que grita pelas ruas e praças pelos filhos desaparecidos, pelas classes oprimidas, por minorias ignoradas. Elas parecem feias e descuidadas, contudo são imprescindíveis nessa sociedade desfocada.

Sexo frágil... Que mentira absurda!

Existem outras tantas classes de mulheres que se enquadram nessa frase do nosso compositor famoso. Muitas delas dão-se por felizes apenas por estarem vivas diante de condições degradantes e inóspitas. Outras, por estarem em situação um pouco mais confortável, mas não menos desprestigiada. Existem as que lutam contra a doença incurável com bravura e perseverança, as que conquistam espaços reservados quase que exclusivamente aos homens, sem perder a feminilidade, as que abandonam carreiras promissoras para serem apenas mães e esposas ou mesmo lutarem por seus sonhos, mesmo que sob a desconfiança de muitos,

as que sofrem as dores do parto e as que sofrem por jamais poderem gerar um filho... Ah, sexo frágil... Que mentira absurda!

Que sejamos mulheres que consigam destaque, sim, nas canções e poesias, mas que acima de tudo rejeitemos toda e qualquer forma de discriminação, abuso e desrespeito.

Que nossa força se manifeste nas nossas convicções de valores firmes e na luta por justiça social e ética.

Que nossos filhos nos admirem como mulheres sensatas e tratem suas mulheres com igual respeito.

Que nossas filhas, a nosso exemplo, sejam dignas do respeito que conquistamos e que gerem filhos e filhas que façam diferença nas suas gerações.

Que, enfim, alicerçadas em Deus,  sejamos valorosas e úteis na sociedade, encorajando-nos umas às outras, a exercermos nossas força e capacidade em prol de um mundo mais justo e bom.

Beijos à tds!