quinta-feira, 31 de maio de 2018

BODAS DE CARVALHO - DO CASAMENTO REAL AO QUE É REAL NUM CASAMENTO




Faz poucos dias e o mundo parou pra ver a celebração do casamento do Principe Harry e Meghan Markl. Foi um casamento Real! Toda pompa e circunstância cabível da ocasião, encantou a uns e desencantou a outros, afinal, não dá pra agradar a todo mundo. 

E o que isso tem a ver com os nosso 38 anos de casados, Jairo? Eras um príncipe e eu uma plebéia? Que glamour havia em naqueles poucos metros  de nave da Igreja Presbiteriana de Madureira, no Rio de Janeiro, que se compare hoje com a capela do Castelo de Windsor? 

De fato não há parâmetros para comparações, nem poderia. Ainda bem! Então, caiamos na real! 

Dois jovens que decidiram, em um ano, que se casariam, informaram à família com 4 meses de antecedência da data da cerimônia, dispensaram os aparatos naturais que as famílias àquela época esperavam e sob olhares desconfiados, selaram naquele 31 de maio de 1980, um compromisso pra vida toda. A gente acreditava nisso! 

Não houve estresse para a escolha do vestido(optei pelo mais simples que pude fazer, embora meus tios Badel e Salete quisessem me dar O vestido!), não houve estresse na hora da lista de casamento (todos foram convidados), não houve estresse para contratação de buffet (não houve festa!). A gente só queria casar! Dois irresponsáveis! 

Somos de um tempo, em que a gente escolhia como padrinhos (pelo menos de um dos lados), pessoas que pudessem nos aconselhar, que fossem exemplos de uma vida conjugal equilibrada. A gente não pensava no que eles poderiam nos dar. E assim foi! Escolhemos Seu João e D. Amélia Marins, um casal muito amado, que tinha prazer em nos cercar com seu amor. Gente simples, honesta, admirável. Queríamos ser como eles! 

Quando hj eu olho para essas fotos, me vem à lembrança tantas coisas... Entendo, assim, que estávamos nos tornando um carvalho! Levaria tempo para criar raízes fortes, mas suportaríamos as ventanias, os vendavais... 

 O carvalho, mesmo quando envelhece ou é cortado, tem a capacidade de se renovar, de gerar novos brotos. Quanto mais rigorosa for a intempérie, mais fortalecido ele se torna. Nós não sabíamos, mas nós estávamos nos tornando um carvalho! Nossas raízes iriam se aprofundar, retorceríamos os galhos quando as tempestades viessem, mas nos manteríamos de pé! 

38 anos se passaram e nós estamos aqui. Não sou romântica o suficiente pra encher de coraçõezinhos esse escrito. Nunca acreditamos muito nesse amor publicado e muitas vezes não vivido. Casamento real não vive de coraçõezinhos. Casamento real vive e se mantém, de desafiadores dias, de diferenças, de lágrimas de alegria e tristeza, de calmaria e tempestade, fartura e escassez. 

Do principe Harry o Jairo tem a coragem de ter feito uma aliança comigo e de usar uma aliança (não com o mesmo kilate. Talvez com o "kimorde!") pra lembra-lo sempre que tem alguém esperando por ele em casa. 

Da Meghan talvez eu tenha a coragem de encarar as diferenças, não sociais, mas talvez de visão de mundo, de percepções e mesmo assim caminhar junto e me deixar completar com o que ele tem de melhor. 

Chegamos até aqui, agradecidos pelo caminho que trilhamos juntos e pelo caminho que temos à frente. Não temos mais tempo nem necessidade de desistir de nada! Tivemos melhores oportunidades de fazer isso sem maiores dramas e não fizemos. Sempre confiamos que Deus firmaria nossas raízes! E assim foi. 

Louvamos a Deus pela família que formamos, pelos amigos que fizemos juntos, pelas histórias vividas. Deus nos abençoou nesses anos. 

E sob a bênção de Deus, dos nossos pais, padrinhos, amigos, irmãos e dos  queridos Rev. Francisco de Paula Pereira de Souza (In Memoriam) e Rev. Elizeu Vieira, tornamos real nosso sonho de ser realmente uma família! 

Parabéns pra nós! 





quarta-feira, 23 de maio de 2018

AFETO EM CAIXA, ENCAIXA!




"Silvia, preciso do seu endereço pra enviar uma caixinha pra você." 

Endereço enviado e interrogações mil na cabeça, mas, por experiência, já sabia que eu ia chorar. Ela sempre me faz chorar! 

"Silvia, estou aqui na sua porta, mas não tem ninguém aqui pra receber a caixa. Posso deixar com algum vizinho seu?"
Eu não estava em casa e pedi pra deixar num vizinho perto. 

Passei o dia na rua, entre tentativas de amenizar as dores por conta da ruptura do tendão do ombro direito, aniversário da mana (que depois  falo disso também) e acabei por chegar em casa às 23h. 

A Caixa havia chegado! O marido passou cedo em casa e pegou a encomenda com o vizinho, antes de sair pra comemorar o nver da cunhada tbm. 

Abri a caixa! E como não chorar? 







Afeto em caixa, sempre encaixa! 

Encaixa no coração da gente, naquele dia que a gente precisa pensar no quanto somos agraciados  pelas amizades que fazemos. Encaixa na necessidade que temos, muitas vezes, de receber uma palavra quando os dias parecem sombrios. Encaixa perfeita e exatamente naquele dia especial, em que a gente olha para um lado e para o outro, tentando entender o que está acontecendo e percebe o cuidado de Deus nos gestos afetivos de alguém que nem tem o  sangue da gente! 

Afeto encaixa em todos os momentos! Encaixou tudo! 

Maristela não precisava enviar caixa nenhuma, mas como diz um comercial que anda circulando: "Não preciso, mas quero!" A frase parece ser dela! 

Ela sempre quer mimar, acarinhar, servir... 

Ela é daquelas que te liga pra dizer: "Está precisando ir para algum lugar? Fazer alguma compra, ir ao médico, entregar encomenda a algum cliente? Me chame! Eu te levo! Por favor, não me decepcione!" Isso ela fala quando eu digo que se precisar eu ligo mesmo. Atenção: ELA MORA DO OOOOOUTRO LADO DA CIDADE! Quase 70km... 

Afeto encaixa ou não encaixa COM O QUE DESCREVI DESSA PESSOA LINDA? 

Não sei você que está lendo esse textão, mas eu tiro preciosas lições disso. 

Entre elas destaco: 
1 - Jamais menospreze aquela conversa com alguém, mesmo que pareça impossível ver aquela pessoa novamente. Deus sempre reserva surpresas! 

2 - Não são as "coisas" que são importantes. Não são os saquinhos de chá, os panos de prato, capsulas de café ou qualquer outra coisa. É o gesto, o pensamente que veio antes de tudo, o desejo de fazer o outro se sentir melhor. 

3 - Amizade precisa ser cultivada. De todas as formas! Alguns escolhem mimar com presentes, outros com o ouvido, outros com a palavra, outros com tudo isso junto! É o caso dela!

4 - Nunca deixe de fazer o outro se sentir bem. Encontre um jeito, uma forma e faça! Se não for numa caixa linda, cheia de coisas lindas, que seja num envelope, com um bilhete, num abraço silencioso, num "vou te sequestrar para um café". Acredite: Deus pode colocar no seu coração o seu jeito de fazer! Aquilo vai ficar na sua cabeça e vc nao ai sossegar enquanto não fizer e no final vai ser lindo! Depois volte aqui e me conte! gere uma onda de afeto! 

5 - Ame com atitudes positivas! Você e eu seremos melhores sempre que esse sentimento deixar de ser palavra apenas. 

Minha gratidão, minha querida! Sou muito agraciada com sua amizade! Sou muito agraciada com outras amizades também e cada um do seu jeito vai me tornando uma pessoa melhor e eu nem sou capaz de retribuir à tanto afeto que recebo de muitas pessoas! 

Finalmente, outros amigos não se sintam desprestigiados. Absolutamente não! Hoje foi o dia de Maristela, mas qualquer dia pode ser o seu, pois o que não me faltam são bons amigos e boas histórias para contar de cada um deles! 

Encaixe seu afeto! Encaixe, não encaixote! 


sábado, 21 de junho de 2014

O FIM DA ESPERA CHEGOU!


Hoje eu vim falar de vida! 

Estava devendo essa postagem desde ontem, e embora no meu pensamento e no coração tudo parecesse já escrito, faltava publicar. Como ainda não inventaram (ou inventaram e eu não sei???) nenhum aplicativo que enquanto você pensa no que deseja escrever nos blogs ou nas redes sociais, basta piscar os olhos e plim, está publicado, vou ter que fazer isso da forma mais primitiva: escrevendo mesmo, o que me dá um prazer enorme!

Ontem uma onda de  valentia, ciência de vida e nobreza, invadiu um adocicado hospital em Maceió e conferiu alguns dos títulos mais nobres a pessoas muito queridas da minha seleta lista de amigos.

Pai, mãe, tia, avô e avó foram os títulos definitivos e irrevogáveis, entregues com honra por um ser de 49 cm à Nicholas, Débora, Evelyne, Viviane, Robson e Zeny. 

Eu não estava lá, mas juntei o meu coração ao deles através da tecnologia e pude acompanhar quase em tempo real, o tsunami de emoções! 

Eu os conheço e sei que não sonegaram emoções,  amor,  abraços... E eu daqui só imaginando... Claro, chorando junto!

Hoje eu queria dizer poucas coisas, até porque, quem deles vai se importar, nesses primeiros dias (que podem durar meses!) em tirar os olhos de Valentina pra olhar para uma tela fria? Contudo, quero registrar minha alegria por ter visto chegar esse momento singular para essa família que amo tanto! 

Sou mãe, sou tia e sou avó. Já senti todas as emoções que eles  estão sentindo pela primeira vez! Nicholas e Débora como pais, Evelyne e Viviane como tia, Robson e Zeny como avós. 

Cada grupo de vcs, pais, tias e avós, vão experimentar um amor diferente a partir de agora e que vocês jamais sentiram! E vai ser tão bom e tão intenso que vai parecer que só vocês sentem isso! E, de fato, assim será! Valentina será única (pelo menos por enquanto) para os pais, para as tias e para os avós maternos. Também não será diferente para para os tios e avós paternos e assim, Valentina crescerá cercada de amor e felicidade e terá sustento físico, moral, emocional e espiritual. Valentina nasceu numa grande família! 

Aos meus amigos Robson e Zeny, uma palavrinha especial: Sabem de nada, inocentes! Hahahaha... Valentina vai surpreendê-los dia após dia! Vocês não tem ideia do que ela vai fazer no coração de vocês, na vida de vocês, nos pensamentos de vocês! Mas será tudo tão bom e maravilhoso, que vocês nem vão se importar de ganhar títulos como "babões" e "corujas"! Serão ostentados com muito orgulho! Sei disso! 

A neta de vocês será a mais linda, fará coisas que "nenhuma outra criança faz!", terá o sorriso banguela mais encantador, mesmo analfabeta (até os 3/4 anos) falará coisas incríveis, como água, mamãe, papai, vovô, vovó, au-au... 

E Valentina cantará! Sim, ela cantará! Agora vai virar Quarteto Cruz! Vai gostar de boa música desde...ontem, vai sorrir quando começaram a cantar e dançar pra ela e vai querer fazer igualzinho, mas vai fazer melhor que vocês, preparem-se! 

Ah... Estou muito feliz! Sinto-me tia-avó, pedindo uma licença aos irmãos de Robson e Zeny. Mas é assim que me sinto e o meu amor não é menor. 

Valentina é um poema de amor! É linda, saudável, terá na sua cabecinha, além dos laços e fitas, muito espaço para aprender com liberdade, de pensar com liberdade, de se expressar com liberdade. Valentina terá valores firmes o que dará a ela essa liberdade. 

E então, os dias passarão, Valentina crescerá e todos vocês com ela! Ela os levará a crescer ainda mais! 

Parabéns, meus queridos! Estou feliz e queria compartilhar isso com todo mundo. Quando Maria Alice nasceu, muitas coisas nasceram e renasceram em mim e, desde então, minha vida mudou. 

Sejam todos bem-vindos à uma nova vida, patrocinada por Valentina Cruz Carvalho! 








quinta-feira, 12 de junho de 2014

Nem tudo hoje é verde e amarelo


Enquanto o Brasil todo respira o clima da Copa, tem muita gente chorando por dores de todos os tipos.  

Não quero estragar o clima verde e amarelo de ninguém. De fato o país está em festa, apesar daquelas coisas que todo mundo já sabe, mas não é dessas coisas que venho falar. 

Hoje quero falar de ABANDONO DE IDOSO. 

Sabe aqueles dias em que você acorda com vontade de expressar sua indignação por alguma coisa e quer que todo mundo saiba? Pois é. Essa sou eu hoje. 

Sei que o Dia Mundial de Combate à Violência Contra o Idoso é dia 15 de Junho, mas quero me antecipar 3 dias. Estou com a cabeça em ebulição, o coração triste e sei que não sou uma voz solitária nesse assunto e por isso vou insistir nele e me juntar, cada dia mais, nessa causa. 

Existem pessoas (se é que posso chamar de PESSOA) que tem um discurso afirmando que  se alguém foi abandonado é porque está colhendo o que plantou, que foi mau para os seus filhos e para os outros e que está tendo o castigo que merece. Eu conheço gente assim. Tenho vergonha disso, mas conheço. 

Existem pessoas (e conheço dessas também), que levantam a bandeira de defesa dos animais, conhecem todas as leis de proteção e nas redes sociais divulgam frases impactantes sobre as punições para esses infratores que não merecem perdão e que, por outro lado, abandonam sem qualquer culpa, seu pai ou sua mãe, com aquele discurso que falei acima e ignorando que existem leis que protegem os idosos e que ABANDONO DÁ CADEIA! 

Tomei conhecimento da morte de uma idosa, que morreu por ter sido abandonada pelos filhos que discursam essas baboseiras e vivem como se não houvesse amanhã. 

Apesar de saber que ninguém morre de véspera, não há nada que justifique filhas abandonando sua mãe, morando em cima da casa dela ou perto, distante apenas algumas casas. 

É duro pensar que essas mesmas filhas gastam sem conta em festas em finais de semana com os amigos, casa cheia, comida e bebida à vontade, enquanto logo alí, mais adiante, existe uma mãe que não se move numa cama, que não tem dinheiro para um medicamento, um médico, um alimento... É duro! Nada contra festas, alegria, fartura, bebida. Nada contra. Sou contra a maldade, a injustiça, o desamor, o desrespeito.

É revoltante saber que essa mulher que gerou filhos, que acertou e errou como todas as mães, tenha tido um final degradante, indigno de um ser humano e ainda assim, seus filhos não sintam o menor remorso. 

Essa mulher viveu por anos sem um mínimo carinho, sem um afago, sem um beijo ou mesmo u ma visita dos netos que moravam próximos e sequer se importavam com ela. Ignoravam sua existência e seus dramas por conta do modelo que seguiam de seus pais e tios. 

Embora essa mulher tenha vibrado com a chegada dos seus netos, chorado por eles, rezado por eles, ter tido sempre a preocupação de comprar algum presentinho pra eles, eles também a abandonaram. Seguiram o exemplo à risca! 

Essa mulher perdeu um filho de forma violenta e desde então foi sendo vencida pela depressão, sem que ninguém lhe estendesse a mão, lhe desse uma palavra, um conforto. Ali ela começou a morrer também. Diziam a ela que ela precisava reagir, como se fosse assim, fácil. Mas como reagir sem ao menos um abraço, um carinho, um sorriso? 

O ambiente que passou os últimos anos de vida era indescritível! Escuro, frio, sombrio, triste, sujo. Suas roupas mal lavadas, velhas, surradas. Nem dá pra falar do banheiro que usava, das roupas de cama... Não dá! 

Como não andava mais, não havia quem a levasse a um médico e quando os filhos eram questionados por que ela passava tanto tempo deitada, a resposta era segura: Preguiça! Ela não faz força, não quer melhorar! 

Era tratada aos gritos e não podia reagir. 

Essa mulher era cuidada por outra anciã, muito mais velha que ela, que mal enxerga e que vive em meio à sujeira, sem cuidados e igualmente só. Era ela quem fazia sua comida, sabe Deus como, quem ajudava um outro filho a trocar suas fraldas, sabe-se lá quantas vezes ao dia. Banho? Nem pensar!


As filhas dizem-se cristãs, mas passam longe de qualquer postulado da sua fé, sua crença, religião, sei lá! Seguiram em caravanas quando da visita do Papa Francisco ao Brasil, mas nesse tempo todo, jamais pediram ao Padre da comunidade que frequentam, que fizesse uma visita à mãe ou rezasse por ela. O problema não está no Papa ou no Padre e os católicos fiéis e verdadeiros não são assim! Conheço muitos e sei que isso não é uma regra. 

Hoje não é dia de verde e amarelo. Hoje é dia de preto, de luto nos corações, mas lá, nos arredores da casa dessa senhora, a festa segue sem choro, sem pranto, sem remorso e em verde e amarelo. A vida seguirá melhor agora.

Tive a oportunidade de visitá-la e fazer um pouco por ela, quando vi o quadro que jamais imaginei ver! Devia ter denunciado no momento que entrei naquele ambiente e vi a realidade daquela mulher, mas acreditei na promessa de que alguma coisa já estava sendo feita para melhorar aquele quadro. Não sei se um dia vou me perdoar por ter negado a ela o direito de morrer com dignidade. Eu devia ter denunciado! Eu devia ter denunciado! 

Agora, a vida segue em frente com muito mais festa, com muito mais leveza para aqueles que ignoram o ser humano e o consideram numa escala inferior aos animais. Se antes não havia drama de consciência, agora muito menos! Não havia drama de consciência porque nunca houve consciência! 

Queria encerrar essa postagem com uma foto que confirma o que meus olhos viram, mas em respeito à memoria dessa senhora e de outros familiares distantes que foram igualmente enganados, achando que tudo estava bem, que tudo estava sendo resolvido, não vou postar. Na internet já tem imagens bem semelhantes e igualmente dolorosas e nada coloridas... 

Então, que fique o lembrete: NÃO SE OMITA. DENUNCIE! 



















sábado, 5 de abril de 2014

Coração Civil

Faz tempo que não venho aqui postar alguma coisa. Pensamentos não tem me faltado, mas falta-me disciplina e tempo pra extrair a polpa. 

Hoje enquanto me preparava para ir à rua comprar algumas coisinhas para concluir minhas encomendas, ouvindo o Globo Cidadania, sem poder ver, mas ouvindo, me deparei com um Brasil invisível, desses que a gente não se esforça nem um pouquinho pra saber da existência. Um Brasil que está acima das guerras políticas, de partidos, de ideologias e crenças. Um Brasil de brasileiros anônimos, que preferem investir em crianças e adolescentes, reforçando neles o conhecimento das riquezas históricas,  da sua cultura e a preservação da mesma. 

Assim, pensei: sou esse Brasil! 

Sou o Brasil de rios e cascatas prestes a secar pela inconsciência de muitos brasileiros, mas sou também o que canta pelas vozes dessas crianças ainda não contaminadas pelo saber das ignomínias praticadas pelos poderes, sejam lá eles quais forem! 

Sou o Brasil que sofre com a seca do sertão nordestino pelos desmandos imorais dos políticos, mas também da música, poesia, arte e delicadezas. 

E assim, prossigo enchendo meu coração e minha mente de esperança quase utopia, mas que me tira do lugar comum das reclamações diárias, das denúncias, da arrogância de achar que esse ou aquele tipo de poder vai resolver os problemas que nos cortam o coração e a alma. Não, não vão! É uma crise de ética e respeito e que, sob o meu ponto de vista, começa em mim e nas pequenas ações que pratico e naquilo que deixo como herança aos meus descendentes. 

Mas hoje, quero deixar minha mensagem através da música do Milton, que , em algum momento diz: 

"Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Vou sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder ?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter 
Assim dizendo a minha utopia 
Eu vou levando a vida, eu vou viver bem melhor
doido prá ver o meu sonho teimoso um dia se realizar 
E Eu viver bem melhor"




Pois é. Sou dessas. Escolhi olhar o meu país com outros olhos, não ignorando suas mazelas, compactuando com os erros, mas buscando divulgar também o que é bom, o que é belo e o que pode fazer diferença. 

Então, até qualquer dia! 

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher 2012


Mulher, sexo frágil. Frágil?

O cantor e compositor Erasmo Carlos, num momento inspirado, escreveu uma canção para enaltecer a mulher na qual ele expressa: “dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda! Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com ela...”

Mulheres. Vinicius de Morais poetizou e cantou sobre elas, escritores famosos tentaram defini-las e laureá-las com nobreza, delicadeza e emoção. Em contrapartida, alguns compositores mais preocupados em fama e dinheiro a qualquer preço compuseram músicas (músicas???)com frases  que se repetem como um mantra, em compassos musicais igualmente repetitivos, atentando contra sua dignidade como se fosse um elogio!

Neste Dia Internacional da Mulher, quero voltar meu pensamento às mulheres que talvez nem tenham sido citadas nos versos de algum poeta ou mesmo tenham inspirado canções, mas que estão incluídas na frase da canção do Erasmo: “...sexo frágil... que mentira absurda!”

Essa mulher a que me refiro é aquela que mal abre os olhos depois de uma noite mal dormida ao lado de um filho febril, sob um teto improvisado numa favela qualquer, de qualquer cidade de cartões postais e se depara com um longo dia pela frente, no qual terá que enfrentar extensa jornada até o trabalho, para cuidar de alguma casa que nem de longe se parece com sua, mas que, possivelmente, também é gerenciada por outra mulher que lhe entrega os cuidados da sua casa, uma vez que também depende do trabalho para contribuir com a renda familiar ou mesmo para continuar produtiva e ativa no mercado de trabalho, por algo que lhe garanta segurança financeira e estabilidade futura, e assim, como num elo, vão unindo forças e garantindo a sua sobrevivência, cada uma de acordo com a sua necessidade, num mundo cada vez mais competitivo e desigual.

Essa mulher a que me refiro é aquela que, segregada ao sertão nordestino e oprimida socialmente, diligentemente amanhece e anoitece cumprindo tarefas árduas, a fim de não ver seus filhos morrerem pela fome e miséria, impostas pelo descaso de governantes, ano após ano.  É essa mulher que labuta diariamente, ignorando seu estado de fragilidade e tomando, cada vez mais as rédeas da economia familiar. Ou ainda, aquela que por força das circunstâncias, veem-se obrigadas a abandonar suas famílias por lá para tentar uma vida mais honrosa na cidade grande, enfrentando a saudade, a distância, a solidão, abrindo e pavimentando um caminho  para trazer os seus, resgatando-os da ignomínia.

Essa mulher a que me refiro é aquela que enfrenta a dureza de ver seus filhos envolvidos em drogas, na prostituição ou no crime e ainda assim lutam por dignidade, mantendo viva a esperança de vê-los reabilitados, com direitos assegurados, com trabalho e estudos garantidos. É ela que enfrenta os vexames, a dor, a solidão e ainda encontra tempo para o abraço e carinho ao filho ou filha a quem ninguém dá mais crédito.

Essa mulher a que me refiro é aquela que mesmo negligenciando a beleza e os cuidados com seu próprio corpo, luta por causas justas, pelos direitos conquistados e não cumpridos, por dignidade e ética.  É essa mulher que grita pelas ruas e praças pelos filhos desaparecidos, pelas classes oprimidas, por minorias ignoradas. Elas parecem feias e descuidadas, contudo são imprescindíveis nessa sociedade desfocada.

Sexo frágil... Que mentira absurda!

Existem outras tantas classes de mulheres que se enquadram nessa frase do nosso compositor famoso. Muitas delas dão-se por felizes apenas por estarem vivas diante de condições degradantes e inóspitas. Outras, por estarem em situação um pouco mais confortável, mas não menos desprestigiada. Existem as que lutam contra a doença incurável com bravura e perseverança, as que conquistam espaços reservados quase que exclusivamente aos homens, sem perder a feminilidade, as que abandonam carreiras promissoras para serem apenas mães e esposas ou mesmo lutarem por seus sonhos, mesmo que sob a desconfiança de muitos,

as que sofrem as dores do parto e as que sofrem por jamais poderem gerar um filho... Ah, sexo frágil... Que mentira absurda!

Que sejamos mulheres que consigam destaque, sim, nas canções e poesias, mas que acima de tudo rejeitemos toda e qualquer forma de discriminação, abuso e desrespeito.

Que nossa força se manifeste nas nossas convicções de valores firmes e na luta por justiça social e ética.

Que nossos filhos nos admirem como mulheres sensatas e tratem suas mulheres com igual respeito.

Que nossas filhas, a nosso exemplo, sejam dignas do respeito que conquistamos e que gerem filhos e filhas que façam diferença nas suas gerações.

Que, enfim, alicerçadas em Deus,  sejamos valorosas e úteis na sociedade, encorajando-nos umas às outras, a exercermos nossas força e capacidade em prol de um mundo mais justo e bom.

Beijos à tds!


sábado, 21 de janeiro de 2012

90 anos do Papai - Minha homenagem

Começo este dia, 20 de janeiro de 2012,  com o coração ainda mais cheio de gratidão: O papai completa 90 anos!

Eu não sei o que é completar 90 anos, mas olho pra ele e posso imaginar.

Completar 90 anos é se desfazer dos 89 do janeiro passado e entrar prá turma dos 9ENTA, já pensando em como será no janeiro que vem, que piada fazer de si mesmo aos 91 e ter esperança de rever mais amigos em volta do bolo.

Completar 90 anos é olhar para trás e ver que família e amigos continuam sendo uma riqueza q
ue independe do sobrenome, títulos, graduações... É ser rico de gente!

Completar 90 anos é também ter reunido experiências em um século e atravessar o outro se adaptando às transformações que o novo impõe, sem deixar de usar suspensórios e chapéus, fazendo disso um estilo muito próprio e divertido.

Completar 90 anos é continuar desperto para a vida, aprendendo coisas novas, insistindo em preservar coisas antigas e tentando encontrar um jeito de adaptá-las umas às outras.

Completar 90 anos é não se entregar ao pijama, continuar fazendo contas de cabeça, lembrar a tabuada de 8 e saber usar um celular.

Papai faz 90 anos! Agora é ir se desfazendo ano após ano dos ENTA e chegar ao centenário cheio da bossa carioca, ainda torcendo pelo América e, de preferência, ainda deixando boquiabertos todos aqueles que pensam que a velhice está na idade.

Obrigada, Senhor, pela vida do papai! Ele sempre esteve e estará nas Tuas bondosas mãos, porque o Senhor é quem preserva a vida.
 Aproveito esse espaço para agradecer a tds os amigos, familiares, pessoas que nem o conhecem pessoalmente, alguns só através das minhas redes sociais,  quando posto fatos e fotos dele e da mamãe, atuando na CASA DAS MÃOS ARTEIRAS (que ele chama de exploração do idoso hahahaha..)todas as mensagens de carinho que enviaram a ele.
Cuidamos de imprimí-las, TODAS, com a fonte ampliada, pois a visão dele já está bem comprometida, mesmo copiando das páginas do FB, e-mails, torpedos a fim de que ele, calmamente, pudesse ler cada uma delas e saber o quanto ele é importante prá todos nós.
Em breve, posto as fotos da comemoração bem doméstica que fizemos e vc que mandou sua mensagem, fez parte disso.
Um abração à tds!