quinta-feira, 31 de maio de 2018

BODAS DE CARVALHO - DO CASAMENTO REAL AO QUE É REAL NUM CASAMENTO




Faz poucos dias e o mundo parou pra ver a celebração do casamento do Principe Harry e Meghan Markl. Foi um casamento Real! Toda pompa e circunstância cabível da ocasião, encantou a uns e desencantou a outros, afinal, não dá pra agradar a todo mundo. 

E o que isso tem a ver com os nosso 38 anos de casados, Jairo? Eras um príncipe e eu uma plebéia? Que glamour havia em naqueles poucos metros  de nave da Igreja Presbiteriana de Madureira, no Rio de Janeiro, que se compare hoje com a capela do Castelo de Windsor? 

De fato não há parâmetros para comparações, nem poderia. Ainda bem! Então, caiamos na real! 

Dois jovens que decidiram, em um ano, que se casariam, informaram à família com 4 meses de antecedência da data da cerimônia, dispensaram os aparatos naturais que as famílias àquela época esperavam e sob olhares desconfiados, selaram naquele 31 de maio de 1980, um compromisso pra vida toda. A gente acreditava nisso! 

Não houve estresse para a escolha do vestido(optei pelo mais simples que pude fazer, embora meus tios Badel e Salete quisessem me dar O vestido!), não houve estresse na hora da lista de casamento (todos foram convidados), não houve estresse para contratação de buffet (não houve festa!). A gente só queria casar! Dois irresponsáveis! 

Somos de um tempo, em que a gente escolhia como padrinhos (pelo menos de um dos lados), pessoas que pudessem nos aconselhar, que fossem exemplos de uma vida conjugal equilibrada. A gente não pensava no que eles poderiam nos dar. E assim foi! Escolhemos Seu João e D. Amélia Marins, um casal muito amado, que tinha prazer em nos cercar com seu amor. Gente simples, honesta, admirável. Queríamos ser como eles! 

Quando hj eu olho para essas fotos, me vem à lembrança tantas coisas... Entendo, assim, que estávamos nos tornando um carvalho! Levaria tempo para criar raízes fortes, mas suportaríamos as ventanias, os vendavais... 

 O carvalho, mesmo quando envelhece ou é cortado, tem a capacidade de se renovar, de gerar novos brotos. Quanto mais rigorosa for a intempérie, mais fortalecido ele se torna. Nós não sabíamos, mas nós estávamos nos tornando um carvalho! Nossas raízes iriam se aprofundar, retorceríamos os galhos quando as tempestades viessem, mas nos manteríamos de pé! 

38 anos se passaram e nós estamos aqui. Não sou romântica o suficiente pra encher de coraçõezinhos esse escrito. Nunca acreditamos muito nesse amor publicado e muitas vezes não vivido. Casamento real não vive de coraçõezinhos. Casamento real vive e se mantém, de desafiadores dias, de diferenças, de lágrimas de alegria e tristeza, de calmaria e tempestade, fartura e escassez. 

Do principe Harry o Jairo tem a coragem de ter feito uma aliança comigo e de usar uma aliança (não com o mesmo kilate. Talvez com o "kimorde!") pra lembra-lo sempre que tem alguém esperando por ele em casa. 

Da Meghan talvez eu tenha a coragem de encarar as diferenças, não sociais, mas talvez de visão de mundo, de percepções e mesmo assim caminhar junto e me deixar completar com o que ele tem de melhor. 

Chegamos até aqui, agradecidos pelo caminho que trilhamos juntos e pelo caminho que temos à frente. Não temos mais tempo nem necessidade de desistir de nada! Tivemos melhores oportunidades de fazer isso sem maiores dramas e não fizemos. Sempre confiamos que Deus firmaria nossas raízes! E assim foi. 

Louvamos a Deus pela família que formamos, pelos amigos que fizemos juntos, pelas histórias vividas. Deus nos abençoou nesses anos. 

E sob a bênção de Deus, dos nossos pais, padrinhos, amigos, irmãos e dos  queridos Rev. Francisco de Paula Pereira de Souza (In Memoriam) e Rev. Elizeu Vieira, tornamos real nosso sonho de ser realmente uma família! 

Parabéns pra nós! 





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