Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de cor. De todas! Elas exercem alguma influencia, sim, na minha (in)disposição.
Hoje, porém, quero falar sobre a influencia delas sob outro aspecto. Tenho, porém, registrado em minha mente a frase de Voltaire que diz que" a situação ridícula de alguém que critica algo que confessa não ter lido, já basta para desqualificar sua crítica". Sendo assim, vou ser cautelosa nos meus "pitacos".
Poderia falar apenas do verde e do amarelo, já que o assunto do momento é política, eleições, segundo turno, mas preciso incluir vemelho e azul. Talvez, como disse a Marina em debates, cor-de-rosa também.
Na mesma proporção que gosto de cores, desgosto de política. De fato é um assunto que me assombra! Contudo depois de ser bombardeada com e-mails alarmistas, outros ufanistas, apaixonados e outros mais, resolvi tratar do assunto, já que tá todo mundo falando nisso. Mas não esperem muito. É só um pedacinho da "polpa" que vou dividir. Acho q o resto já apodreceu e é melhor não arriscar...
Voltando às cores, nesses dias de ruas coloridas por papéis inúteis com fotos retocadas e com cores vibrantes, depois de ter lido e ouvido um monte de mensagens absurdas do tipo: Dilma vai proibir cultos públicos ou, Marina, sim, vai moralizar porque é Evangélica e o Serra... me coloquei à parte prá pensar nesse tanto de bobagens e improdutivas discussões. Concluí que, nem a verde Marina transformaria o Planalto numa igreja e nem a escarlate Dilma teria poderes, sozinha, para perseguir tão ferozmente a igreja/religião/fé e destruir os valores morais, blá, blá, bla... E o Serra...
As eleições no primeiro turno, basicamente, giravam em torno de um arco-íris, considerando aqui (perdoem o duplo sentido) que um dos pontos aflitivos para cristãos de todas as linhas, era a questão dos direitos da minoria homossexual. Era cor demais para o povo se distrair e não perceber que os maiores riscos que os candidatos ofereciam, não estavam relacionados com as cores que defendiam, vermelho, verde, azul... e sim em deixar dúvidas sobre o caráter impecável, a vida pública ilibada e um compromisso sério com cada promessa feita. Pior do que isso, é , conquanto se diga que o Brasil é um país laico, fazer "ajustes" nos discursos, para garantir votos nos redutos cristãos, dependendo da conveniência. Isso é feio e "marronzista", como diria Odorico Paraguassu!
A duras penas tenho mantido minha fé. A duras penas! Entretanto, aprendi desde cedo a respeitar o outro, a não perseguir quem não tem a mesma fé q a minha, até porque não tenho a mesma fé que tem ou não tem o outro.
Sendo assim, queria ver no meu país, cristãos, ateus, espíritas, umbandistas e todas as muitas religiões que são abrigadas debaixo desse maravilho céu azul tropical deste país, uma preocupação muito mais coerente com a fé que professam, sim, porque acredito q mesmo os ateus vivem por fé, uma vez q de alguma forma, acreditam nas pessoas, e com isso, promoverem ações para o bem comum, independente do credo de cada um.
Aos cristãos, especificamente, fica um recado: Cuidado com os que usam seus púlpitos/palanques, pintados pelo lado de dentro com essa ou aquela cor, pra fazer errar um povo, induzindo-o ao erro maior que é não examinar, não discernir, não ler, não confrontar, não ter opinião própria e sim, como papagaios, repetirem mantras sacralizados que os acompanham até às urnas, deixando de fora a consciência. Acho isso feio demais!
E, querem saber? De todos os simbolismos de que tratam as cores, eu fico com o branco (apesar de AMAR o amarelo!), que como pano de fundo, seria capaz de mostrar que a ficha limpa não pode ser cinza clarinho, porque em cima do branco, o claro ainda é escuro (leiam : O Frio Pode ser Quente? da Jandira Mansur. É livro infantil, viu?) .
Ah, Patria amada... Será que falta muito prá gente ser um povo heróico e ver o sol da liberdade? Será que vai demorar pra gente conseguir o penhor da igualdade?
Ah, Patria amada... estão querendo apagar tuas cores, vendendo teus verdes, teu ouro amarelo e demais riquezas naturais, encobrindo teu céu azul pela falta de controle da poluição e o teu branco, pátria amada, que representa a paz, tem sido maculada com as sujeiras palacianas, impedindo toda ordem e todo progresso.
Melhor parar por aqui, ou Voltaire vai "voltaire", como diriam os nossos colonizadores, e puxar minhas orelhas!
Depois de ler

Maravilhoso desabafo! Perfeito! Só vc mesmo, com toda essa sensibilidade típica dos artistas, para colocar de modo tão bonito tanta coisa feia que vai se multiplicando por esse lindo Brasil. Vc arrasou! Tomara que a harmonia na diversidade representada pela convivência linda e mutuamente complementar das cores do arco-íris prevaleça em todos os sentidos: sexual, racial, social, cultural, político, etc. A vida é diversa. Só a morte é igual. Os vivos diferem em muitas coisas justamente por estarem vivos. A vida é multiplicidade, diversidade, pluralidade. Os mortos são todos iguais, ou seja, não são. O seu não-ser os iguala. Contudo, existem uns "estraga-prazeres" tentando criar mundos-além, com separação entre um tipo de morto e outro, inclusive hierarquias... Hum... Até nisso somos diversos: uns usam mais a imaginação, outros mais a razão, mas todos estão usando a "cabeça" de alguma forma... Humano, demasiadamente humano - como dizia Nietzsche.
ResponderExcluirBeijo, minha aquarela favorita! Sim, porque nenhum de nós traz em si mesmo uma cor só. Somos multicoloridos até mesmo no nível pessoal, individual. Nenhum de nós é uma coisa só... ;)
Sergio Viula
Obgda, Sergio! Se a gente não põe pra fora, a "polpa" estraga e o descarte, o lixão, acaba ficando dentro da gente.
ResponderExcluirBeijo carinhoso, meu nobre amigo!
É vero, Sylvinha! E quando a gente divide a polpa, dois - no mínimo - a degustam. ;) Através do seu blog, muito mais que dois degustarão as polpas de pensamento que você dividr.
ResponderExcluirBeijo grande!
Sergio Viula